“O essencial é invisível para os olhos”
Enviado em 3 de Agosto de 2007
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O Entrando em Cen@ está completando 1 ano, e percebo que não escrevi metade dos textos que imaginei. Mas cada um deles foi importante e me trouxe novos amigos.
Engraçado, quantas vidas passam pela nossa vida sem que a gente saiba a diferença que fizeram para nós. Com tantas facilidades de comunicação, orkut, chat e até mesmo blog, temos pressa, necessidade de “conhecer” pessoas, de aumentar nossos relacionamentos. Deixamos de ser únicos, pra sermos números. Eu quero mais do que isso. Quero conhecer pessoas em sua essência, quero sentí-las. Difícil fazer amigos de uma maneira tão sem contato, sabe aquela coisa de ver, de abraçar. Mas, fiz amigos através do blog. A diferença dos chats e do orkut? A diferença é a essência que emana de cada palavra que as pessoas escrevem, porque escrevem com o coração. E aí consigo sentí-las, consigo saber o que aquele coraçãozinho lá de longe está sentindo, descubro as afinidades em comum. São pequenos detalhes que diferenciam uma “flor” da outra. E assim a gente vai escolhendo com quem quer partilhar as alegrias, os desafios, as lágrimas e os sonhos, separando pessoas essenciais das triviais.
A todos os amigos que cativei e que me cativaram, deixo um trecho da minha leitura preferida: O Pequeno Príncipe de Antoine de Saint-Exupéry.
“E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira…
- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita…
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste…
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. não me cativaram ainda.
- Ah! desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- Que quer dizer “cativar”?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa “criar laços…”
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo…
- Começo a compreender, disse o principezinho. Existe uma flor… eu creio que ela me cativou…
- É possível, disse a raposa. -
Mas a raposa voltou à sua idéia.
- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra.
O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo…
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor… cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto…
No dia seguinte o principezinho voltou.
- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração… É preciso ritos.
- Que é um rito? perguntou o principezinho.
- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um rito. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira então é o dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu não teria férias!
Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah! Eu vou chorar.
- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse…
- Quis, disse a raposa.
- Mas tu vais chorar! disse o principezinho.
- Vou, disse a raposa.
- Então, não sais lucrando nada!
- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.
Depois ela acrescentou:
- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.
Foi o principezinho rever as rosas:
- Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Ela é agora única no mundo.
E as rosas estavam desapontadas.
- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o pára-vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.
E voltou, então, à raposa:
- Adeus, disse ele…
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
-O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa… repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa…
- Eu sou responsável pela minha rosa… repetiu o principezinho, a fim de se lembrar”.

Gostei muito do seu blog, da maneira cm vc escreve, parabens!!!
Abraços
O essencial é invisível aos olhos.
Verdade…
Paabéns pelo aniversário do blog.
A gente cria vínculos por aqui né?
isso é bom demais…
Adoro pequeno príncipe!
beijão
É meu amor… essa é vc. Sem dúvida.
Sou responsável por vc.
T amo.
Oi, Stella!
Obrigada pela visita e pelo cairnho nas suas palavras.
Identifiquei-me muito com o post que vc escreveu. Também encontrei amigos queridos nesse mundo aparentemente sem rosto dos blogs… e é sempre uma grande alegria encontrar gente de verdade, sensível e inteligente, por trás de um layout bonito e de um texto bem escrito.
Convido você a voltar outras vezes. De minha parte, estarei sempre por aqui - visitá-la foi uma grata surpresa.
Beijos
Amizade transcede ao tempo e ao simples momento. Viver a esse mundo aqui é viver virtualmente a real realidade da vida, que nos une, aproxima e substancialmente nos alinha.
Sou feliz por estar nesse mundo e conhecer pessoas como você. Parabéns pelo blog, por você e pela grandiosa menção a Saint-Exupéry
[ http://oavessodavida.blogspot.com/ ]
O AveSSo dA ViDa - um blog onde os relatos são fictícios e, por vezes, bem reais…
Parabens pelo primeiro aniversário do blog!!
Parece impossível, mas embora aqui não exista o tal contacto físico, visual, etc… criamos laços tão fortes e eternos como em algumas das amizades do «mundo real».
Costumo dizer que frequento os blogs sem preocupações em saber a aparência e idade de quem está do outro lado. O que me toca e cativa são as palavras. E, assim vamos conhecendo mais de nós mesmas, e dos outros. Sem precisarmos de explicações, basta estarmos atentos.
Óptima escolha, também é um dos meus livros preferidos.
Gostei daqui… cheguei tarde (ufa, mas ainda vim a tempo do aniversário. Parabéns), mas pretendo estar sempre por perto.
Beijo.
Parabéns pelo aniversário do Entrando em Cen@,
Para mim, hoje em particular foi muito emocionante entrar aqui, porque vim atrás do texto do Pequeno Príncipe para mostrar às minhas filhas, eu amo Saint Exupery!
Hoje, eu me reví lendo este mesmo texto com 16 anos de idade, ele marcou a minha vida porque me ensinou a valorizar as pessoas. A procurar achar e também dar “o melhor”! porque o essencial é invisível para os olhos…
Um forte abraço pra você!Alma bela…
Há coisas em que se pode e até se deve acreditar: uma delas é que é muito mais fácil viver a vida quando se está apaixonado (sentido lato da palavra).
beijos meus,
Paulo Duarte
Eu amo Pequeno Principe, e esta parte é maravilhosa.
É perfeitamente verdadeira, e uso na minha vida, por tudo o que cativo ou me deixo cativar.
Parabéns pelo blog.
Visite o meu!
Beijos